Crítica | 'Esquadrão Suicida' é bom, mas não empolga

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Crítica | 'Esquadrão Suicida' é bom, mas não empolga

09.08.2016

 

Quando foi anunciado um filme de quadrinhos todo estrelado por vilões alguns torceram o nariz e outros se empolgaram. A maioria dos telespectadores não conseguia associar um filme de quadrinhos que não fosse com um herói como protagonista. Mesmo assim foi uma jogada interessante da Warner para bater de frente com a Marvel, sua maior concorrente em filmes de quadrinhos, pois apresentaram algo que ainda não havia sido feito. E assim o esquadrão foi aprovado.

 

O filme em nenhum momento foi uma ideia já trazida pela Warner para integrar seu universo expandido de quadrinhos no cinema e sim foi uma ideia do diretor David Ayer. Mesmo parecendo uma total incógnita as gravações começaram. No elenco anunciado tínhamos estrelas como Will Smith no papel de pistoleiro, a atual queridinha de Hollywood, Margot Robbie e o polêmico Jared Leto que tinha a grande missão de entregar um ótimo coringa já que o mundo havia visto Heath Ledger literalmente dar a vida ao interpretar o palhaço psicopata na obra-prima de Christopher Nolan.

 

Quando o trailer foi apresentado na San Diego Comic-con e após isso vazado os fãs vieram à loucura. Um filme totalmente diferente e com um tom singular e incrivelmente mais procurado que os já mais que consagrados Batman v Superman. Após alguns meses um trailer ainda mais épico foi levado ao público combinado numa perfeita edição entre imagens e música ao som de Bohemian Rhapsody do Queen praticamente consagrando o longa mesmo antes de sua estreia. A expectativa estava lá em cima, mas com sua péssima prática adquirida nos últimos anos, o que a Warner não poderia deixar de fazer era interferir no trabalho do diretor e mandar regravar algumas partes do filme já as portas do lançamento.

 

E o que se viu no cinema foi outro filme que não o apresentado nos trailers. Foi um filme ruim? Não necessariamente. É um filme divertido e coeso, diferentemente de Batman v Superman onde há grandes furos de roteiro, mas com toda a certeza não é o filme que poderia fazer história como todos esperavam. Uma trama simples e que em alguns momentos parece mais ser focada na apresentação dos personagens de forma colorida e psicodélica como as aberturas da novela teen malhação, deixa a impressão de que o diretor teve suas ideias mescladas com algo mais jovem e comercial trazendo para um filme o aspecto de um grande videoclipe e não um grupo de vilões que realmente colocam medo.

 

Participações muito esperadas como a do coringa se reduzem a poucas cenas de alguns minutos para contar a história de Arlequina e apresentam um coringa totalmente descolado do personagem original. De palhaço psicopata ele se torna um gangster cheio de trejeitos e com a atitude de um cafetão machista. É um personagem interessante, mas que sem um desenvolvimento não trás carisma e assim como aparece não deixa saudades na saída. Definitivamente não é o coringa que se moldou ao longo dos anos como o mesmo se denomina “Spielberg do crime”(Coringa, advogado do diabo – 1996)

 

 

No mais o filme trás a redenção de alguns dos vilões e nesse momento ele perde sua proposta de ser um filme do mal e não do bem.

Se o filme tivesse tido um marketing melhor direcionado teria atingido maior sucesso, tentou na figura do coringa arrastar o público para o cinema, mas não entregou o que se prometeu do mesmo e acabou subutilizando os reais protagonistas e assim vendendo uma falsa ideia.

Um filme simples que teria surpreendido se fosse respeitada a ideia original. A expectativa não tão alimentada teria trazido surpresa para o público e na realidade trouxe um pequeno desapontamento com a sensação de “acho que tinha mais”.

 

Mais tarde após a estreia a warner admitiu que existe duas versões do filme, uma do diretor e outra pedida pelos executivos e que foram ambas apresentadas para testes e a do estúdio foi a escolhida para ir aos cinemas. Percebe-se isso ao ver que muitas das cenas ótimas que estão no trailer não aparecem no filme e o próprio Jared Leto vem a público dizer que tinha muito mais coringa.

 

Tanto Will Smith quanto Margot Robbie entregam ótimos personagens e a Arlequina é o fio condutor da diversão do longa de forma surpreendente. Cara Delavigne também entrega sua personagem, a Magia, de forma magistral em momentos de possessão a ideia de terror salta aos olhos e impressionam como poucos já fizeram.

 

Os erros do filme e a mão do estúdio não necessariamente o estragam  e se você for ver sem expectativa vai se divertir muito sim, mas se espera algo épico pode se decepcionar um pouco. No fim é deixado um gancho pra uma possível continuação, porém é tão sutil que dependendo da recepção do mesmo no fim de suas exibições caso a Warner decida não continuar com o grupo nos cinemas não sentiremos falta dessa história que possa vir a ser contada.

 

Nota 6.

 

 

 

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