Crítica | 'Jogador N° 1' é um filmaço com a cara e o coração de Steven Spielberg

© 2019 Séries Favoritas. Todos os direitos reservados.

Contato: sfavoritas@gmail.com

Copyright: 2015 - 2020

SIGA-NOS

  • Facebook Social Icon
  • Twitter Social Icon
  • Séries Favoritas YouTube
  • Instagram Social Icon
  • LinkedIn ícone social

Crítica | 'Jogador N° 1' é um filmaço com a cara e o coração de Steven Spielberg

30.03.2018

 

O que se pode falar de um gênio como Steven Spielberg? Nada, a carreira dele fala por si só. ET, o Extraterrestre, Indiana Jones, Jurassic Park e tantos outros. Mas Spielberg estava vivendo uma fase muito adulta com 'Ponte dos Espiões' ou o documentário 'Auschwitz'. Pra quem cresceu com os filmes de Spielberg os mais adultos acabam sendo "chatos" em relação a tantos filmes que marcaram uma geração inteira. Não que ele não saiba fazer filmes adultos, muito pelo contrário, é que os filmes mais "família" dele não são só comuns, são normalmente incríveis. E a galera que cresce com filmes como 'Jogos Vorazes' ou 'Crepúsculo' não sabem o que esse diretor trouxe para uma geração de um planeta inteiro.

 

Aqui em 'Jogador Número Um' Spielberg volta aquela fase em que ele é imbatível. As referências aos filmes são incríveis. Easter Egg? nem procure, porque eles simplesmente pulam na sua cara, um melhor do que o outro. Um pequeno spoiler, mas que não estraga em nada, a cena em que eles entram no filme 'O Iluminado', clássico de Stephen King realizado por Kubrick, é simplesmente sensacional. A cena recria partes do hotel com cada detalhe impecável. Impecável até demais. Aliás, Spielberg e Kubrick foram amigos e isso facilitou a criação, pode ter certeza. Até uma referência a Robert Zemeckis, que dirigiu 'De Volta Para o Futuro' é colocada na tela. Não é só o Delorean não, mas um cubo com o nome do diretor. Eles trabalharam juntos na trilogia, mas Spielberg atuou apenas como produtor.

 

 

O roteiro do filme é impecável. Em um futuro desordenado, onde a pobreza e a falta de recursos impera, uma realidade virtual se torna a fuga perfeita para bilhões de pessoas ao redor do globo. O Oasis é um verdadeiro universo onde você pode ousar ser quem quiser e fazer o que bem entender, desde que possa bancar por isso. Wade Watts (Tye Sheridan, de “X-Men: Apocalipse”) é um adolescente que, assim como o resto dos usuários do sistema, sonha em ficar “triliardário” com a fortuna deixada pelo criador nerd do jogo, James Halliday (Mark Rylance, de “Jogo de Espiões”), em uma espécie de caça ao tesouro, onde quem encontrar as três chaves escondidas, automaticamente torna-se o novo dono da empresa que o suporta. Ao mesmo tempo, a rica e poderosa IOI, com seu ambicioso patrono Sorrento (Ben Mendelsohn, de “Rogue One: Uma História Star Wars”), fazem de tudo para chegar ao prêmio e comandar essa realidade paralela de uma forma que lhes tragam ainda mais lucro.

 

Nesse meio do caminho muitas informações da cultura pop pulam na tela como pipoca. São referências demais e dá pra perder muita coisa. Se você assistir dublado (eu odeio, particularmente) acaba sendo muito melhor, porque você consegue prestar atenção nos mínimos detalhes. O filme é baseado no livro homônimo do escritor Ernest Cline, que também assina o roteiro do longa junto com Zak Penn (“Os Vingadores”), o filme é muito honesto e simples em seu claro objetivo: divertir.

 

E não tem enganação, a história é acessível a todos, mesmo aqueles que não curtem tanto a cultura pop. Os personagens são fáceis de se conectar e a obra é refrescante por ser inventiva nos meios que utiliza para conquistar o público. Em um mundo repleto de tramas e ferramentas narrativas usadas à exaustão, é apostando no carisma do universo que Spielberg consegue contar pela centésima vez a história de um herói buscando seu sonhado tesouro. Já o livro tem muitas referências, que o próprio leitor se perde. Aqui, Spielberg mastiga o livro e cospe em pequenos pedaços.

 

O visual então é impressionante. Ele simplesmente mergulha num mundo com referências visuais fantásticas. Em muitas vezes eu vi Blade Runner, com aquelas luzes piscando em todos os cantos. Aqui é igual, mas cada luz encanta de um jeito bem diferente. E as batalhas são tão inacreditáveis, que coloca 'O Senhor dos Aneis' no chinelo, com tanta briga. É difícil acompanhar, mas mesmo no jeito Spielberg de ser, ele consegue mostrar cada pedacinho para que a gente não perca.

 

Se você leu o livro, tenha certeza que não irá se decepcionar. E se não leu, vai ficar encantado e hipnotizado com um mundo de imaginação que só Steven Spielberg poderia te proporcionar.

 

Nota: 10

 

 

 

 

Please reload