Crítica: 'O Poço' | Terror provoca, traz questões sociais, mas esquece de responder perguntas

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Crítica: 'O Poço' | Terror provoca, traz questões sociais, mas esquece de responder perguntas

24.03.2020

 

Todo mundo que assiste ao filme espanhol 'O Poço' entende muito bem o significado da história: a pirâmide social. Aquela coisa que a gente sempre aprende em sociologia na faculdade. Ao estabelecer a divisão em classes, castas, estamentos de uma determinada sociedade em um determinado tempo. Basicamente é isso. Aliás, o filme todo é assim dessa forma.

 

E é muito bem construído. A história do longa se passa em um futuro distópico, onde uma prisão vertical mantém duas pessoas em cada andar, com a comida sendo distribuída de cima para baixo. Ou seja: quem está na parte de cima come melhor, enquanto quem está embaixo precisa lutar pela sobrevivência. A desigualdade social e suas consequências. O filme chega em muito boa hora, já que em tempos de coronavírus muita gente pensa em si próprio como ir ao mercado e acabar com álcool em gel, por exemplo, e esquece que existem outras pessoas no mundo. O filme mostra bem, em forma de ficção, algo que já vemos na realidade, no nosso dia a dia.

 

Quem está na parte de cima come do bom e do melhor e tem a sua disposição tudo o que quer de comida e bebida. Mas quem tá abaixo vai comendo o restante que tem. E se você está embaixo de tudo, come o resto e se tiver um resto para se comer. É a perfeita realidade de muitos países. Se você tem dinheiro, você tem do bom e do melhor. Mas se não tiver, não come. O filme traz essa "brincadeira", se assim podemos dizer, e coloca em discussão que muita gente tenta colocar juízo nos outros para ver se existe como tocar a consciência de cada um.

 

Inclusive em forma de violência. Fazendo com que os outros façam a coisa certa mas acabando com o seu direito de escolha. Ou seja, será que você vai ajudar somente impondo? Vemos isso também diariamente em países grandes e até menores, como o Brasil, que vê em algumas decisões, imposições.

 

Mas voltando à ficção, o filme mostra uma prisão e nesta prisão os presos alternam entre o topo, o meio e a base, passando por tudo e experimentando posições boas e ruins. Porém, o longa deixa em aberto quem são os responsáveis por isso, embora saibamos metaforicamente. Porém, deixam de lado a ficção só para dar uma lição. Mesmo assim, o final, que infelizmente não traz nenhuma solução, como na vida real, acaba frustrando o telespectador que quer que algo seja concluído.

 

Mesmo não sendo um típico filme hollywoodiano, o filme tem momentos muito bons, como a construção dos personagens, como eles se adaptam e a loucura em se manter são num lugar completamente maluco. A falta de um final, mesmo ele em aberto, é frustrante, porque no mínimo, gostaríamos de saber o que acontece ou o que era o local. O filme nos deixa sem um início ou um fim explicável, o que simplesmente faz com que fiquemos, mais uma vez, frustrados e irritados. Não deixa de ser um bom longa metragem, mas faltou algo que nos prendesse, ou simplesmente nos marcasse.

 

Nota: 7,0

 

 

 

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